Entrevista para ser veiculada durante a Bienal do livro em Pernambuco.
Contos, crônicas, poesia visual, relatos de viagens, fotografias, eventos literários... um pouco de cada uma das minhas paixões.
Gostou do blog? Divulgue!
quarta-feira, 6 de outubro de 2021
quarta-feira, 7 de julho de 2021
Damares Alves e a goiabeira
Vira e mexe vejo piadas sobre a história do Jesus na goiabeira, de Damares Alves.
A falta de tempo e um certo desinteresse pelo Facebook me impediram de desenvolver um texto a respeito.
Inicialmente fiquei sem entender que história era essa e só depois de alguns meses fui pesquisar sobre.
Damares, em 2016 salvo engano, relatou em um culto que havia sido abusada sexualmente (um eufemismo para estuprada) entre os 6 e os 8 anos por um falso pastor.
Aos 10 anos, quando morava em Feira de Santana, pegou veneno e subiu em um pé de goiabeira para se matar.
Foi então que viu Jesus Cristo, que a impediu de tomar o veneno.
Ela continua a história, dizendo que sabia tratar-se de um amigo imaginário.
Ou mesmo, na minha opinião, uma alucinação.
O fato que, quando se faz piada disso, vc não faz piada com alguem com ideologia política diferente da sua. Vc faz piada com uma criança de 6 a 8 anos que sofreu uma violência que não deveria.
Isso explica muitas decisões que pessoas nessa situação tomam no futuro.
Abaixo segue parte do depoimento que ela deu na epoca:
" Aos 25 anos, foi avisada pelos pais de que um falso pastor havia sido preso por abusar de crianças. Neste momento, de acordo com ela, a futura ministra teria percebido que, mesmo sem nuncar ter lhes contado, seus pais sabiam dos abusos. "Mas quando minha mamãe descobriu, quando eu era criança, que aquele homem tinha abusado de mim, a igreja disse para a minha mãe que era pecado ela falar disso comigo. Mãe não podia falar de sexo com criança na igreja quando tinha 6 anos, porque era pecado. Era tudo pecado e a igreja mandou a minha mãe orar", diz. "Eu trocaria 19 anos de oração da minha mãe por um abraço dela quando eu tinha 6 anos", conclui".
Se você descobrisse que sua mãe, uma tia ou uma amiga, havia tido uma alucinação após sofrer abusos sexuais, você riria dela?
sexta-feira, 25 de junho de 2021
Livros do Glauber
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021
Biblioteca de muro
Dois dos meus livros, o Poesia Estradeira e uma das antologias da Editora Phoenix, foram doados para a biblioteca de muro, criada pelo Jailson, em Joinville (SC).
Os livros ficam disponíveis para a população em pequenos armários junto a muros residenciais. Iniciativa interessante de apoio à leitura.
Siga o perfil deles no instagram: @biblioteca.de.muro
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021
Autocrítica
Entristecido, o homem está quieto, pensativo, folheando um livro sem prestar atenção nas páginas, após queixas da esposa de ser marido ausente e pai desatento às demandas da casa, dela e do pequeno.
Reflete suas próprias ações quando a esposa o interpela.
- Está chateado pelo que te falei?
- Sim.
- Porque?
- Porque é verdade.
domingo, 31 de janeiro de 2021
Anuário de poesia
O Poesia Estradeira foi cadastrado no Anuário de poesia da Casa das Rosas, instituição cultural sediada em São Paulo (SP).
quarta-feira, 20 de janeiro de 2021
quarta-feira, 30 de dezembro de 2020
Observadores de formigas
Passou despercebido, e apenas hoje percebi que não falei deste meu livro aqui no blog.
Observadores de formigas foi publicado pela Penalux e consta de 100 minicontos, com os mais variados temas.
Olhem ele:
Essa foto foi tirada do meu perfil no Instagram. O livro tem perfil no skoob e tem recebido boas resenhas.
Quem quiser adquiri-lo, basta entrar em contato comigo.
domingo, 20 de dezembro de 2020
Homenagem no centenário de Clarice Lispector
Recentemente fui convidado, pelo SESC-DF, com outros escritores residentes em Brasília, a ler trechos de obras de Clarice Lispector.
O vídeo, disponível no canal do SESC-DF do YouTube, segue abaixo.
quinta-feira, 3 de dezembro de 2020
Aylam
Aylam
Me lembrei do menino sirio, da mesma idade, que com outra camiseta vermelha foi encontrado morto na praia, também de barriga pra baixo e rosto virado, como se olhasse pro mar e perguntasse porque
Fora expulso de seu país junto com a família, e a família de tantos outros parentes, vizinhos, desconhecidos, que não viram escolha e entraram no mar com destino a um lugar seguro. Qualquer um.
Lembram? Muita gente já se esqueceu.
E enquanto nós adultos fingimos que estamos acordados
Sem manhas, alegrias
Nem manhãs
terça-feira, 1 de dezembro de 2020
Casal
Não brigou, não rebateu, não questionou.
Apenas sentou-se melancolicamente no sofá.
Foi abordado minutos depois pela esposa.
"Está assim chateado porque eu disse que é um marido ausente?".
"Sim".
"Porque?"
"Porque é verdade".
terça-feira, 1 de setembro de 2020
Silencioso, apreciando "O Grito"
Do livro "Observadores de formigas" (Editora Penalux, 2019).
sábado, 8 de agosto de 2020
quinta-feira, 23 de julho de 2020
Ninho vazio
Planos que nunca terminaram
Planos?
sábado, 1 de fevereiro de 2020
quarta-feira, 15 de janeiro de 2020
domingo, 5 de janeiro de 2020
terça-feira, 31 de dezembro de 2019
Os Três
Saiu do bar do velho amigo pelas duas da manhã. Os dois e mais um, sentados juntos, mas sozinhos em suas mentes, a remoer passados e imaginar futuros, favorecidos pelo álcool ingerido em conjunto. A madrugada o envolvia fria e silenciosa e ele seguiu sozinho e a pé, rumo ao sítio onde vivia. Os outros dois permaneceram no bar.
Minutos depois, num local conhecido como Ventania, ermo, com vegetação rasteira de um lado e uma plantação de algodão do outro lado da estradinha, percebeu a aproximação de um homem que saiu de uma das estradas vicinais. Reconheceu o rapaz como um dos empregados de Cláudio, o marido da mulher com a qual se envolvera.
Discretamente, pegou no cabo do revólver acomodado a cintura.
O homem aproximou-se de forma rápida e pode ver o brilho da faca prestes a cegar seus olhos. Então se virou e atirou três vezes. Apesar do álcool no sangue, conseguiu acertar o homem com um dos disparos: caiu inerte, a mancha de sangue vermelhando a camisa de botões que usava.
O jagunço caiu próximo ao acostamento da estrada. Aproximou-se e percebeu que já estava morto. Arrastou o corpo para um barranco próximo e o arrastou até uma pequena grota.
Olhou em volta. Próximo havia um banco de madeira, usado pelos poucos moradores da região como um ponto de ônibus improvisado. Ao longe, era possível ver as luzes da cidade mais próxima. Ao redor e dentro dele, nenhuma luz.
Sentou-se ali no banco com dois velhos conhecidos que lá já estavam e observavam a cena.
Olhou na direção do rio em frente e disse, sem se dirigir a um dos dois em especial.
-- Essa história não vai acabar nunca. Hoje matei o jagunço do Cláudio. Amanhã virá outro.
-- Foi se envolver com mulher casada dá nisso, né meu caro – respondeu um dos homens, vestido de forma elegante, com camisa de manga comprida e sapatos bem engraxados, elegância escondida sob uma camada de poeira fina.
-- Não foi intencional. Os sentimentos não podem ser controlados. É como uma barragem que pouco a pouco vai sendo preenchida indefinidamente pelos rios. Uma hora, de tão cheia, ela estoura.
-- E já pensou em sair da cidade, levar a mulher contigo? -- perguntou o outro, vestido de forma mais despojada, bermuda e camiseta, apesar do frio.
-- Minha vida é aqui. A dela também. Temos filhos, negócios.
-- E o que pretende fazer?
Nesse momento passou o segundo cliente do bar, arrastando-se sob o peso do álcool. Não viu os dois que ladeavam o companheiro de copo e cumprimentou apenas o cliente amigo. Em seguida, seguiu em direção a própria casa, quilômetros a frente.
Após o homem afastar-se, retirou duas das balas intactas do revólver. Deu uma a cada amigo.
-- Com apenas uma dessas eu resolvo todo esse problema.
-- Está pensando em se matar?
-- Talvez seja a única saída.
-- Porque não mata o marido dela? – perguntou o mais despojado.
-- Não quero ficar com ela dessa forma. O que começou como uma ilha de serenidade, onde podíamos nos abrir um com o outro, não pode acabar envolto em sangue.
Tirou então um cigarro do bolso. O mais elegante o advertiu.
-- O cigarro ainda vai matá-lo.
O homem riu irônico. O outro amigo respondeu:
-- Talvez não seja o cigarro que o mate, afinal.
-- Tô bem de amigo, hein? – reclamou o homem -- Eu só quero preservá-la, entendem?
-- Pense no sofrimento dela e dos filhos se você fizer isso.
-- Eu sou apenas um bom amigo que apareceu num momento em que ela se sentia perdida.
-- Essa sua baixa autoestima é irritante. Você precisa decidir algo. Mas nós dois não podemos interferir, disse o de bermuda.
-- Vocês são meus amigos. Me ajudem.
-- Não somos seus amigos. Somos você. – respondeu o mais despojado, fazendo-se entender de imediato.
O homem virou-e riu. Gostava da impulsividade do “amigo”, companheiro eterno desde o berço. E também da prudência do outro. Era uma dupla que sentiria falta quando partisse.
Nesse momento apareceu um cachorro. Um vira-lata sem dono, adotado pelos funcionários e crianças do colégio onde estavam. O bicho era manso e ofereceu a cabeça para um carinho.
-- Estamos aqui a algum tempo e ele nos ignorou solenemente. Deve gostar de você.
-- Somos invisíveis a ele. – lembrou o mais despojado.
O homem abaixou os olhos e fez um pequeno cafuné no animal. Thor era o nome dele. Lembra-se bem de uma informal eleição que escolheu o nome do bicho, o que foi uma pequena movimentação da vila que pouco tinha a oferecer, mas que era influenciada indubitavelmente pelo mundo externo, o que incluía o cinema de Hollywood. Thor e Trovão foram os finalistas. Venceu a globalização, por uma pequena margem.
Por fim, pegou a arma e a bala, e se afastou em direção ao rio. Ao longe podia ver uma nesga de Sol. Colocou a bala no tambor do revólver.
Os outros dois permaneceram no banco, longe da vista do outro. Não conversaram mais desde a saída dele.
Um tiro foi disparado ao longe.
O mais elegante abaixou a cabeça, triste. Mas em seguida o outro falou.
-- Ele não morreu. Ainda estamos aqui.
O mais elegante entendeu o que se passava e se levantou do banco. O outro o seguiu no gesto. Pouco depois, viram o homem se aproximando.
-- Dei um tiro pro alto. Precisava extravasar.
Passou entre os dois e sentou-se no banco, tirou a bala já deflagrada do revólver e a guardou no bolso da camisa.
-- Por ora, por ora, ficarei aqui. Perdido entre vocês dois. Mas vivo, pensando em uma solução.
domingo, 15 de setembro de 2019
Fazenda
sábado, 31 de agosto de 2019
Se fosse possível fotografar o pensamento
O pensamento é formado por choque de neurônios
Se neurônios pensassem como humanos, concluiriam
Esse choque que você trouxe
Que me tira o ar
É tsunami
Furacão
Hecatombe nuclear
quinta-feira, 15 de agosto de 2019
Multidão
quarta-feira, 31 de julho de 2019
Meio
O início do fim
ou o fim do início?
Quem saberá o instante exato
Que divide nossa vida como um machado a um tronco podre
entre o antes e o depois?
Entre o renascer
e o precipício?
terça-feira, 16 de julho de 2019
Poeminha no ônibus
domingo, 30 de junho de 2019
Casa
Chego a casa do velho avô
curado dos abismos na alma
Agora tudo é silêncio
nas paredes e cômodos vazios
Deito-me no banco da varanda:
destelhado o teto
vejo abismos espalhados pelas telhas coloniais
Nunca pude reparar
dali, como é bela a visão do infinito
Imagem ilustrativa.
Foto do autor em São Tomé das Letras (MG)
sábado, 15 de junho de 2019
Manhã
Boa dia, amigos leitores.
Hoje, dia 15, é dia de texto meu ilustrado.
Essa é a interpretação de Carmelina Ferreira, do Estúdio Carmel Ink (Varginha - MG) para "Manhã".
Manhã foi um dos vencedores do concurso Pão & Poesia, em 2014, promovido anualmente pela prefeitura de Blumenau. Por causa disso foi impresso em sacos de pão e distribuído em asilos e orfanatos de lá. Vejam a foto de um desses saquinhos:
Manhã também estará no meu próximo livro, uma coletânea de poesia afetiva.
Peço que comentem sobre esse trabalho e o divulguem, pois o alcance é enorme.
@glaubervieiraferreira - texto
@carmelinaferreira - ilustração
quarta-feira, 15 de maio de 2019
Empatia
Boa dia, amigos leitores.
Hoje, dia 15, é dia de texto meu ilustrado.
Não estranhem: esse é um novo trabalho com o texto "Empatia", que mês passado recebeu sua interpretação da pintora Niara Silva.
Dessa vez, a ilustração é de minha prima Carmelina Ferreira, desenhista/tatuadora e dona do estúdio de tatuagem Carmel Ink, em Varginha.
É interessante observar a diferença de interpretação entre as duas artistas.
Enquanto Niara desenhou uma lágrima em forma de rosto (representando a pessoa em nosso pensamento, com a qual nos ligamos pela empatia), Carmelina desenhou uma flor no lugar da lágrima, pois essa ligação fez nsscer um sentimento bonito de identificação e afeição, ou seja, justamente empatia.
Carmelina também ilustrará outros textos meus...aguardem em cada dia 15...
Lembrando que Empatia estará no meu próximo livro de poesia (não revelarei ainda o título, rsrs), que não tem data de publicação definida, mas que sairá em versão bilingue (português/espanhol). Os textos desse livro já foram traduzidos pelo espanhol Carlos Saiz.
Comentem sobre esse trabalho!
Agradecemos.
@glaubervieiraferreira - texto
@carmelinaferreira - ilustração
terça-feira, 30 de abril de 2019
Gruta dos Palhares, Sacramento (MG)
segunda-feira, 15 de abril de 2019
Empatia
domingo, 31 de março de 2019
Templo da Ciência - Ipameri (Goiás - GO)
Inaugurado em 2002 por Paulo Gontijo, foi idealizado como local de meditação e contemplação sobre as Ciências. No interior do templo, em painéis de metal, estão os resumos biográficos de 246 cientistas, de áreas diversas como química, filosofia e religião. Em um corredor que circunda o pequeno prédio, há uma biblioteca que guarda obras científicas.


















