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sexta-feira, 1 de maio de 2015

Publicação - Revista dos Curiosos


                      A Revista dos Curiosos foi a primeira revista em que um texto meu foi publicado.
              Pesquisando desde 1999 nomes curiosos de cidades brasileiras, um pequeno texto sobre Canudos, na Bahia, foi publicado na revista em maio de 2003. Esse mês, portanto, completam-se doze anos dessa inédita experiência.
                   Infelizmente, a revista não resistiu ao advento da internet, e poucos meses depois passou a existir apenas em meio eletrônico. Posteriormente, até mesmo a págnia na internet deixou de existir.





terça-feira, 17 de março de 2015

Rodovia




Chuva forte
Buracos na pista
Os filhos brincam no banco de trás
No dial, “Música do mundo, da sua Rádio Cultura FM!”


Ultrapassagem arriscada



Silêncio




sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Assaré



O Brasil tem o Ceará
O Ceará tem Assaré
Assaré tem a Serra de Santana
E a Serra de Santana tem Patativa


E Patativa tem o sertanejo
A lavadeira
O roceiro
O humilde


Reformulando:
é Patativa
quem tem o Brasil


sábado, 31 de janeiro de 2015

Motel



Marcus escuta barulho na sala de espera e sai do escritório. Um homem jovem, sozinho e aparentemente nervoso, olha para os lados.
— Bom dia.
— O senhor é o advogado Marcus Antonio de Sá Monteiro? — perguntou o rapaz, sem cumprimentá-lo.
— Sim, o seu nome é...
— Gostaria de tirar algumas dúvidas — interrompeu-o o visitante.
Os dois entram no escritório. Uma ampla mesa de granito os separa.
— O que deseja, seu...
— Afonso.
— Sim.
— Qual a pena média para um homicídio?
— Pena média? Bom, isso varia muito. Depende dos antecedentes da pessoa que matou, se confessou para a polícia, as características do crime...
— Qual o mínimo e o máximo, então?
— Varia de seis a trinta anos.
— Trinta?
— Sim, mas isso em casos de muitos agravantes. — pegou então um Código Penal na gaveta e apontou rapidamente o parágrafo segundo do artigo 121. Afonso leu o texto com sofreguidão: motivo fútil... morte com emprego de veneno... fogo... explosivo... tortura... asfixia... sem chance de defesa para a vítima...
— Motivo fútil... se o motivo for sério, não é contado como agravante?
— Se realmente for sério, não.
— Uma traição?
Marcus silenciou-se por alguns momentos, olhando fixamente para o homem a frente, que também o encarava, segurando as mãos de forma nervosa.
— O senhor matou alguém?
— Inclui traição?
—Sim, pode incluir traição.
— ...
— O senhor matou alg...
— Então – Afonso interrompeu, novamente -  se um homem de bons antecedentes  mata o amante da esposa logo após descobrir que foi traído, mas sem o uso daqueles agravantes, e ainda se entrega e confessa o crime a polícia, a pena pode se aproximar desses seis anos?
— Sim, nesses casos não costuma ultrapassar os 12 anos. Mas quase ninguém cumpre a pena toda no Brasil.
— E como é isso?
— A lei fala que se o preso cumprir dois quintos da pena e tiver bom comportamento, pode ser liberado mais cedo. Nesse caso, seriam uns cinco anos. A pessoa iria para o regime semi-aberto e logo depois poderia começar a trabalhar fora e apenas dormir na prisão. Em sete ou oito anos poderia estar em casa.
— Sete ou oito anos.
Afonso calou-se, como a fazer cálculos mentais. Ao fim, levantou-se, tirou uma arma da cintura e alvejou uma única vez o advogado, no peito. Enquanto Marcus agonizava, jogou sobre o peito ensanguentado do homem uma fotografia datada de dez anos antes: ainda em cores vivas, mostrava a vítima com a esposa de Afonso. Depois, jogou outras fotos mais recentes a sua volta, incluindo a daquela manhã, tirada pelo próprio assassino em um motel barato na saída da cidade...
— Sete ou oito anos... Ainda não pagam esses dez anos de traição. Vale a pena. — concluiu, encarando o ainda moribundo advogado, enquanto pegava seu celular e ligava para a polícia.

20/04/09


















domingo, 18 de janeiro de 2015

Museu dos Dinossauros de Peirópolis - Uberaba (MG)


          Não me lembro mais a forma como tomei conhecimento desse museu.  O que sei é que me apaixonei pelo pequeno distrito que o abriga - Peirópolis - desde o momento em que o visitei pela primeira vez, nos idos de 2002.
          Passei alguns anos sem visitar o local, mas hoje em dia, quando vou a minha Varginha de carro, quase sempre dou um jeitinho de passar por lá.
          O museu evoluiu bastante de 2002 para cá. Está mais organizado e, em outro prédio do distrito, há uma outra edificação que passou a ser usada pelos paleontólogos. A região de Peirópolis ainda abriga vários pontos de escavações de fósseis, que são levados ao local para estudo.



Estátua de um brontossauro, a primeira a ser inserida no local


Posterioremente, outras estátuas foram inseridas no lugar


Painel em uma parede representando um dinossauro. Os fósseis dos ossos são reais e pertencem a vários animais.


Uberabasuchus terrificus: o nome significa "terrível crocodilo de Uberaba". Atingia 2,5 metros e 300kg, e era capaz de se deslocar por grandes distâncias em terra firme.









Laboratório no interior do museu, onde são feitas pesquisas com os fósseis encontrados em Peirópolis.





ENDEREÇO: Antiga estação ferroviária do distrito de Peirópolis, a 21 km de Uberaba. O acesso é pela rodovia BR-262, que liga Uberaba a Belo Horizonte, próximo ao km 784;         

TELEFONE: (34) 3338-1502 ou 3359-0105

HORÁRIO DE VISITAÇÃO: Segunda a Sexta das 8h às 17h; sábado, domingo e feriados das 8h às 18h

ENTRADA: R$ 3,00 (em janeiro de 2015)

ESTACIONAMENTO: gratuito (nas ruas do distrito)


quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Torre de Belém





Quando criança, coisas importadas eram coisa chique

E os biscoitos portugueses
Feitos na Travessa das Mônicas
Em Lisboa  
Eram sempre esperados com alegria

Vinham de parentes distantes
dentro de uma lata de metal
Na tampa, a torre de Belém

Trinta anos depois
Os parentes já não existem
E cá estou em Portugal,
Em Lisboa, à beira do Tejo
Lá está ela
A famosa torre de defesa da armada portuguesa
Relíquia de 500 anos

Relembro minha infância com saudade
Coração bate mais forte
Os olhos lacrimejam



Nunca imaginei que uma lata de biscoitos me emocionaria tanto




Foto: Glauber

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

A Isla Negra de Neruda





Os estrondos do Pacífico se ouvem da casa
E Isla Negra
Parece receber as sombras
De 11 de dezembro de 1973


Não se preocupe, poeta
Permanecerás para sempre abraçado com Matilde
Os gritos agora, vem apenas das ondas

E só assustam os pássaros





Foto: Praia de Isla Negra, região de Valparaízo (Chile), onde se situa o memorial de Pablo Neruda. Lá está enterrado, junto com sua esposa Matilde. Foto de Glauber


quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Publicação: Usina da Cultura

     O Poesia Estradeira, publicado há pouco tempo nesse blog, está agora na revista Usina da Cultura.
     Descobri a revista em uma viagem que fiz com minha esposa Mônica, há poucas semanas, na região de Canela e Gramado. A publicação muito me agradou, pois, além de ser gratuita, tem um formato prático, e aborda assuntos os mais diversos, possuindo seções de poesia, fotografia, turismo, informática, entre outros temas.
     Seguem abaixo as capas da edição de outubro e minha poesia. Quem quiser ler a versão eletrônica da revista, pode acessar sua página: www.usinadacultura.com






sábado, 11 de outubro de 2014

domingo, 28 de setembro de 2014

Vila de São Jorge









O coração já bate diferente quando começa a estrada de terra


São Jorge adoraria essa casa criada por guerreiros
que o adotaram como exemplo maior


Chão de terra
Paredes e mentes coloridas


Vila de São Jorge

Me deixa

tão


são 





Singela homenagem à Vila de São Jorge, porta de entrada do Parque da Chapada dos Veadeiros (Goiás)

sábado, 13 de setembro de 2014

Rua Campestre



Estava com o tanque na reserva quando entrou na rua Campestre naquela madrugada; afora algumas pessoas que se despediam de uma idosa, tudo era silêncio. Estacionou no final, onde as casas rareavam e tinha início uma estrada de terra. Olhou no retrovisor, e seu olhar pareceu cruzar com a da provável moradora da casa; logo depois, ela fechou o portão e entrou em casa.
As horas passadas circulando a esmo pela cidade não foram suficientes para aclarar-lhe as ideias. Credores o perseguindo, esposa indo embora; tudo era como um gatilho para ativar a depressão adormecida. Como de costume, se alimentava dos remédios receitados pelo psiquiatra, mas dessa vez, sem obter o efeito pretendido.
Acende a luz interna do carro e verifica o revólver 38 no banco do carona. Adquirira a arma anos antes, a título de defesa pessoal. Treinava eventualmente e ainda possuía munição nova. Abriu o tambor da arma e jogou os projéteis na palma da mão. Observou o brilho dourado, semelhante a ouro, que poderia lhe devolver o bem mais precioso nesse momento: a tranquilidade.
Após recolocar uma das balas no revólver, alguém bate na sua janela.
Abre um pouco o vidro.
“Que é?
“Da um troco aí, mano”.
“Não tenho nada. Tchau.”
“Pô, mano, nesse carrão aí não tem nada, arranja um negócio aí.”
“Já disse que não tenho nada”.
O interlocutor era um dos doidinhos da cidade, alcoólatra inveterado que vivia nas ruas a troco de migalhas e de trabalhos passageiros. Recém havia se viciado no crack e se tornara mais imprevisível e violento desde então.
“Pô, véio, não vai dar nada não, não vai não??”
E tentou abrir o vidro do carro, sem sucesso. Com as próprias mãos golpeava continuamente o veículo.
“Sai daqui, seu merda, me deixa em paz”.
Antonio da Graça, era esse seu nome, ignorou o motorista e continuou a golpear o veículo, a procura de algo que ele nem sabia se encontraria.


..........



Dona Isaura, a idosa avistada pelo motorista, verifica o relógio. São duas horas da manhã. Junto de seus vizinhos – soube depois - acordou assustada e repentinamente. Ao som de dois disparos.



sábado, 23 de agosto de 2014

Catedral - Brasília (DF)


      




          A Catedral Metropolitana Nossa Senhora Aparecida, mais conhecida simplesmente como Catedral, é um dos monumentos mais famosos de Brasília e da arquitetura de Niemeyer. Sua construção iniciou-se em 1956, e a estrutura de concreto estava pronta em 1960, porém, o prédio só foi concluído em  maio de 1970. Em minha modesta opinião, é o prédio mais bonito da cidade.
           Seus 16 pilares de concreto são unidos por uma base circular de 60 metros de diâmetro. No topo, uma cruz metálica com 12 metros de altura.
          A entrada do templo é feita através de um pequeno corredor escuro, que simboliza a escuridão que a humanidade está envolta antes de chegar a luz divina... Dentre suas obras de arte mais famosas, estão os vitrais de Marianne Peretti e os anjos suspensos de Alfredo Ceschiatti. Na entrada do templo estão outras quatro esculturas de Ceschiatti (com a colaboração de Dante Croce), os evangelistas, além dos sinos presenteados pela Espanha.


A Catedral na década de 60. A fotografia foi retirada do www.catedral.org.br, e tem autoria de Gui Peres.







A Catedral com o campanário.



 As três estátuas dos evangelistas Mateus, Marcos e Lucas ficam à frente da cúpula branca, localizada acima da capela do batistério, por sua vez situada no subsolo da Catedral.

As estátuas dos evangelistas possuem 3 metros de altura, e foram esculpidas em bronze por Alfredo Ceschiatti e Dante Croce. Esta é a estátua de João, que fica de frente para as outras três.


          Não há uma explicação oficial sobre o porquê de a estátua de João estar isolada das demais. Teologicamente falando, há uma possibilidade: os Evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas guardam muitas semelhanças entre si, motivo pelo qual situam-se simbolicamente do mesmo "lado". O Evangelho de João  guarda muitas particularidades, motivo pelo qual a estátua pode ter sido colocada no lado oposto.




A escura entrada do templo.



Pinturas de Athos Bulcão


Os três anjos suspensos de Ceschiatti. O maior deles tem 4,25 metros e trezentos quilos.



A cruz da primeira missa, rezada em 1957.


Quadros de Di Cavalcanti, representando a Via-Sacra


Reprodução do Santo Sudário, localizada na capela no subsolo da Catedral.





A réplica da Pietá repousa ao lado de uma estátua de Dom Bosco.



ENDEREÇO: Eixo Monumental, próximo a Esplanada dos Ministérios

TELEFONE: (61) 3224-4073

HORÁRIO DE VISITAÇÃO: todos os dias, de 8 às 17 horas. Durante os horários de missas, naturalmente, não são permitidas visitas ao interior da igreja.

HORÁRIOS DE MISSAS: terça a sexta, às 12:15 e 18:15; sábados, às 17:00 e domingos, às 08:30, 10:30 e 18:00.

ESTACIONAMENTO: gratuito

ENTRADA: gratuita

MAIS INFORMAÇÕES: www.catedral.org.br

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Alta traição



          Inicialmente, aquele professor de academia se mostrara atencioso e compreensivo com as moçoilas e balzaquianas; mas logo tirou a máscara e conquistou logo o peitoral definido mais desejado da academia. Questionado, disse que, se ninguém partia pro ataque, ele é que não ia perder tempo...


          A mulherada não o perdoou; apelidaram o vil rapazote de Pôncio Pilates.

sábado, 28 de junho de 2014

Ah, Lua...



Ah, Lua atrevida 
Escancarada 
Pornográfica 
Matando de inveja Saturno e seus anéis 

Ah, Lua... 

Lua? 

Ah...

Luana...

terça-feira, 10 de junho de 2014

Golpe do telefone




— Alô.
— Alô, bom dia! O senhor acaba de ganhar da Super Rádio Brasil Bacana FM uma maravilhosa TV LCD de 29 polegadas. Qual o seu nome?
— Meu nome?
— Sim! Precisamos do seu nome e endereço para entregar o prêmio!
— Olha aqui, seu vagabundo, você acha que eu sou otário? Antes era o tal do sequestro de parente por telefone, depois o cidadão tinha que comprar cartão telefônico pra ganhar prêmios inexistentes, agora vocês vêm com essa de prêmio do rádio?? Vai trabalhar, vagabundo!

...........
— Alô.
— Alô, boa tarde! O senhor acaba de ganhar da Super Rádio Brasil Bacana FM uma maravilhosa TV LCD de 29 polegadas. Qual o seu nome, meu amigo?
— Que nome o que, ô cacete, você acha que eu não vejo televisão? Vai aplicar golpe em outro, mané!

...........
— Alô.
— Alô, minha amiga felizarda, boa noite! A senhora acaba de ganhar da Super Rádio Brasil Bacana FM uma maravilhosa TV L...
(A mulher desliga repentinamente o telefone).
...........
Todos estão perplexos.  O povo estava bem informado e por isso a tática de abordagem deveria mudar. 
O radialista, por fim, desabafa com o chefe:
— Pô cara, ninguém tá acreditando mais na gente!!


quarta-feira, 9 de abril de 2014

Agruras de escritor


O escritor independente — mas dependente de grana e leitores — mudou-se de residência e levou pessoalmente a caixa com dezenas de seus livros recém-publicados e ainda encalhados. Chegando a casa, deixou seu tesouro sob responsabilidade da empresa de mudanças e saiu para resolver pendências.
Ao voltar, visitou a caixa e sentiu falta de metade dos volumes.
Exclamou consternado, entre aflição e alegria:

"Roubaram meus livros!!!"

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

A vaquinha do Genoíno




José Genoíno é mentiroso ou incompetente?
Pergunto isso ao me deparar com a notícia de que correligionários criaram um site para arrecadar dinheiro, a fim de que o ex-deputado condenado pague a multa de quase 500 mil reais por conta do Mensalão. A família de Genoíno alega que ele não tem o dinheiro suficiente para pagar esse valor, além de possuir apenas um apartamento em seu nome.
É aí que entra a pergunta acima.
Acompanhem-me: José Genoíno, durante mais de 20 anos, foi deputado estadual por São Paulo; exerceu outros cargos no decorrer de sua vida pública, então, eu pergunto: o que Genoíno fez com essa bolada? Seus correligionários me farão rir se alegarem que o petista repassou esses valores para obras sociais ou mesmo para o partido.
Como entender que, em 30 anos de carreira, sempre com expressivo salário, ele não foi capaz de adquirir bens, para usufruto e investimento? Que não foi capaz de investir na poupança ou fundo de investimentos? Ou o ex-deputado é um mentiroso, que não quer tirar dinheiro do próprio bolso para pagar a multa, ou realmente não possui tal quantia; nesse caso, podemos inferir que, se é incompetente a ponto de não oferecer um bem estar a própria família depois de três décadas, o que deixou de fazer pelo Estado que o elegeu nessas décadas.
E então, qual a sua opinião: o ex-deputado é mentiroso ou incompetente?

.......................

Essa cronicazinha já está desatualizada parcialmente. José Genoíno conseguiu pagar sua multa; mas campanhas semelhantes serão criadas para Delúbio Soares, José Dirceu e João Paulo Cunha. Mudam-se os personagens, não a surrealidade da situação.

domingo, 1 de dezembro de 2013

Natal Brasileiro

          Atravesso as montanhas e chego a singela vila interiorana. Localizada a menos de uma centena de quilômetros da capital, a pequena cidade era o grande refúgio dos estressados habitantes da metrópole. Era uma estância hidromineral e suas águas eram procuradas para os mais diversos fins.
Era época de Natal, e minha intenção era justamente entregar presentes às crianças carentes do lugar. Embora a capital também estivesse repleta de pessoas nessas condições, queria aproveitar a ocasião para usufruir do clima e das belezas de Lagoa Funda.
          Após hospedar-me em uma pousada no centro da cidade, fui passear pela praça principal, enfeitada de pinheiros decorados que contrastavam com os ipês e jacarandás nativos; milhares de bolinhas de isopor estavam espalhadas nos canteiros, a imitar flocos de neve. Pelas lojas, papais noéis sentados, à procura das crianças e, por tabela, dos pais que receberam o 13°. Próximas ao parque, charretes coloridas transportavam turistas, ávidos também para conhecerem as centenas de lojas de artesanato e lembrancinhas.
          No dia seguinte à minha chegada, conheci um guia-mirim, Lucas. Como trouxera muitos presentes, resolvi lhe entregar um. Mas pensei em fazer isso na sua própria casa, até para conhecer melhor as pessoas e costumes do lugar. Combinamos que eu passaria lá no final da tarde, já que Lucas trabalharia durante o dia acompanhando os turistas. Por outro lado, eu também passaria o dia entregando os brinquedos em um orfanato.
          No início da noite, entrei na tortuosa rua calçada de paralelepípedos; não estava tão bem conservada, certamente por estar localizada na periferia e não ser passagem freqüente de turistas. Achei a casa do garoto sem dificuldades: ele me esperava no portão.
          Estava sozinho. A mãe rezava na igreja, o pai, ainda trabalhando, e os 3 irmãos na casa dos vizinhos, onde ele também estaria se não estivesse a minha espera.
          Após entrar na casa e me sentar no sofá, abri a sacola e lhe dei o presente. Apesar da impetuosidade de seus 8 anos, abriu o pacote com cuidado (certamente para usar o papel de presente em outra oportunidade) e passou a admirar o boneco de um Papai Noel de pano, vestido com seu casaco vermelho e conduzindo o trenó com a ajuda das renas. O trenó possuía pequenos pacotinhos, como se fossem presentes.
          “Renas, casaco de frio, trenó?” Deve ter pensado o garoto, num instante de reflexão que, confesso, nem eu, como adulto, tivera. Apesar da inconfundível simpatia desse símbolo, o Papai Noel naqueles trajes, com aqueles animais e conduzindo um trenó não parecia combinar com o que se via pelas ruas do nosso país.
          — É bonito. — respondeu-me afinal — mas meu Papai Noel é outro.
          — E qual é? — perguntei, espantado.
          Ouvindo um barulho na rua, ele pegou-me pela mão e me puxou para fora da casa. Próximo ao portão, apontou-me alguém e me disse:
          — É ele.
          Era seu pai, vestido com uma surrada calça e camisa social meio aberta; conduzia uma colorida charrete de turistas, guiadas por dois cavalos sem raça definida. Na pequena carroça, algumas sacolas imitando presentes: na verdade, o alimento do dia.

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Ativistas x Cientistas


O Brasil está entrando em um caminho perigoso: movido pela inércia do Judiciário e pela corrupção que campeia o Executivo e o Legislativo, a população resolveu não esperar e fazer justiça com as próprias mãos.
O problema é o que cada um entende como justiça.
Nessa semana, dezenas de ativistas pelos direitos dos animais invadiram um laboratório particular legalmente credenciado e roubaram 178 beagles que ali estavam a serviço da ciência; junto com os animais, destruíram também documentos e equipamentos. A alegação era a de que o laboratório torturava os animais e de que o Ministério Público não se pronunciava a respeito.
A primeira vista, é fácil ficar do lado dos ativistas. No entanto, basta um pouco de discernimento e de pé no chão para perceber que a atitude deles prejudicou até mesmo a causa que apoiavam, a de que o Laboratório Royal maltratava os bichos. Agora, sem os animais e os documentos, provavelmente o processo (penal?) será extinto por falta de provas.
Pergunto-me também se o laboratório tivesse convocado cientistas e simpatizantes para fazer frente a invasão. Ou seja: em vez de o Judiciário definir a questão, tudo pareceria se resolver com os grupos se digladiando. Mais Idade Média, impossível.
Não sou especialista em biologia e por isso não posso afirmar se é mesmo possível substituir os animais em toda e qualquer pesquisa. Particularmente, creio que não: programas de computador não me parecem capazes de prever as nuances de cada substância inoculada em um organismo vivo. Os mamíferos em geral são escolhidos para experiências em laboratório justamente por causa disso, visto que sua biologia interna é muito parecida com a dos humanos: todos têm sistemas respiratórios, circulatórios e reprodutivos com os mesmos órgãos que as pessoas.
Em todos os portais de notícias a invasão foi um dos principais assuntos da semana. No Yahoo, que eu costumo acompanhar mais por causa de meu e-mail, foi fácil perceber que cerca de 70% das pessoas que comentavam a notícia apoiavam os ativistas; questionados por alguns dos 30% restantes sobre como os cientistas pesquisariam novos medicamentos sem os animais, as respostas foram estarrecedoras: que se usassem então presidiários.
Embora certamente muitas pessoas não sejam dignas de serem tratadas como humanos, não é rebaixando-as ainda mais que a humanidade evoluirá. Uma das últimas pessoas a levar a sério os experimentos com humanos foi o médico nazista Josef Mengele, e a simples palavra “nazista” ao lado de seu nome já nos faz imaginar as consequências de tais experiências. Ou seja, boa parte dos ativistas parece mesmo acreditar que o melhor é que se usem seres humanos para tais experiências, inclusive não se importando com a eventual morte de tais pessoas. Pretendem criar uma nova ordem mundial e boa parte não se importaria em copiar a ideologia eugenista dos nazistas para tanto.
Em suma, estamos bem de ativistas, hein?
A propósito, dois dos beagles já foram resgatados pela polícia. Estavam abandonados, caminhando perto do laboratório.

sábado, 5 de outubro de 2013

Encontro


Você me olha 
E não sabe os séculos que carrego 

Meus olhos negros e a pele cor de terra não disfarçam: 
em algum lugar das arábias surgiram meus antepassados 
Séculos depois, escolheram a península italiana para morada 
estabeleceram-se em Verona, ao norte, 
talvez fugindo de tiranos ou inimigos 

Passaram as gerações 
E veio o século 20 
com suas ditaduras, crises e a primeira guerra mundial 
Os navios europeus atravessam o oceano 
e para o novo mundo trazem os desesperados 
Aportam no litoral do Brasil 
Muitos seguem para o interior, a procura de um clima familiar. 
Minas recebeu vários, incluindo os meus 
A terra das montanhas promoveu o encontro entre avós e pais 
E, por fim, estou aqui, no coração do país 
Olhando seus olhos castanhos que também carregam histórias antigas 

Seu passado é ainda mais cigano 
e Deus teve algum trabalho para moldar-lhe o corpo e o espírito 
Minha Afrodite: 
Moçambique, Palestina, Itália, também viram seus antepassados 
até se encontrarem em Portugal 
No fim, talvez os mesmo navios que carregaram os meus também trouxeram os seus 
Quem saberá? 
Nossos antepassados podem ter sido parceiros nas cartas, nas danças e festas 
Quiçá tiveram pequenos namoros a bordo ou refletiam juntos sobre o futuro, 
fitando o mar até se despedirem no porto 

Os seus escolheram como morada Belém e São Luís 
e depois vieram como tantos para o cerrado de Brasília 
Finalmente nos encontramos aqui, nesse lugar improvável, 
porque nem sempre as belas histórias começam em belos cenários. 
Nessas horas, para que lembrar que carregamos a história da humanidade? 
Como todos, não somos filhos apenas de nossos pais 
Assim foi o caminhar até aqui 
E o brilho que está em ossos olhos, sinaliza: começa agora a nossa história.

domingo, 15 de setembro de 2013

Manhã



Acorda 
Estique braços e pernas 
Boceje. 

Agora me abraça: 

meu coração também precisa espreguiçar.

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Museu Nacional dos Correios - Brasília (DF)


Inaugurado em 15 de janeiro de 1980, o Museu Postal e Telegráfico da ECT fechou para reformas e reabriu em 25 de Janeiro de 2012.

Além do acervo relacionado aos correios, abriga exposições temporárias.




 
 Modelos diversos de caixas de coleta, do período imperial e da república


Caixa de coleta da época imperial.


 A caixa maior foi a primeira do período republicano, com 2 metros de altura e 500 quilos; a menor também é republicana, do tipo parede.


 Caixa de coleta do império, tipo parede. Repare que as caixas de coleta da época imperial e as dos primeiros momentos da república eram quase idênticas: a única diferença é a estrela (que representa a república) no lugar do brasão imperial (coroa vermelha e amarela com uma cruz no topo). Isso ocorreu porque, com o advento da república, os símbolos do império foram excluídos.





 Réplica de um furgão postal, utilizado no Rio de Janeiro.


 O barco de cima é réplica de uma canoa do rio São Francisco. A de baixo é uma canoa das monções, utilizada na última fase do ciclo do ouro no Brasil.


Réplicas de aviões já utilizados pelos Correios.














ENDEREÇO: SCS - Setor Comercial Sul, Qd. 4, Bl. A, nº 256, Ed. Apolo

TELEFONE: (61) 3426-1000

HORÁRIO DE VISITAÇÃO: terça a sexta, entre 10 e 19 horas; sábados, domingos e feriados, entre 12 à 18 horas.

ESTACIONAMENTO: o museu está no Setor Comercial Sul, justamente a área mais movimentada de Brasília. Existe estacionamento gratuito ao redor, mas é quase impossível encontrar vaga depois das 7 e meia da manhã. É preferível descer na estação de ônibus da W3 Sul (próximo ao shopping Pátio Brasil) e caminhar até o museu; outra alternativa é descer na estação de metrô da Galeria. Para visitas mais tranquilas, escolha os finais de semana.

ENTRADA: gratuita