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sexta-feira, 15 de abril de 2011

José Alencar - herói ou homem comum?

"O mineiro só é solidário no câncer". Essa enigmática frase, atribuída por alguns a Otto Lara Resende e a outros a Nelson Rodrigues, que a usou em uma peça, remeteu-me a batalha de José Alencar contra o câncer, e ao apoio integralmente emocional que o político recebeu da população e da imprensa. Podemos, contudo, ampliar as fronteiras geográficas e sociais da frase em questão: entendo que o ser humano em geral é solidário com os demais em situação de grande sofrimento, e aí incluímos tanto as tragédias naturais que afligem populações inteiras de uma vez só, como a luta de pessoas amigas ou famosas contra determinada doença.

O sofrimento diminui a diferença entre as pessoas. Doenças e dramas sérios são capazes de aproximar ou reaproximar tanto antigos desafetos como pessoas desconhecidas - vide a quantidade de doações feitas às vítimas anuais de enchentes no Brasil; a iminência da morte faz com que cada um releve o mal feito pelo outro, ambos querendo apagar antigos rancores e pendências emocionais. Na psicologia, chamamos isso de "fechar a Gestalt", que, em suma, seria como fechar de vez um ciclo. No caso de vítimas de desastres naturais, desconhecidas para muitos, tende-se a associar o sofrimento do outro com o de si mesmo: e se fosse comigo?

O que sucedeu com a opinião pública a respeito da luta do ex vice-presidente José Alencar ilustra bem esse fato. Embora poucos dos milhões de habitantes do país o conhecessem pessoalmente, seu cargo e a visibilidade política que evidentemente tinha o colocavam como pessoa quase íntima da população. Sua luta contra a doença, no entanto, em nada difere do que a maioria das pessoas faria nessa situação: lutar com todos os meios para preservar a própria vida. Muitas pessoas sucumbiriam sem demora, não necessariamente pela resistência biológica, mas pela falta de condições financeiras para se tratar. José Alencar fez 15 cirurgias no decorrer de quase duas décadas, inclusive no exterior. Aos poucos tornou-se um herói pela vida; não desdenho de seu sofrimento, mas é mais fácil tornar-se herói quando se tem condições financeiras para bancar décadas de tratamento e ter a luta pela vida divulgada emocionalmente dia a dia pela imprensa.

Essa verdadeira "santificação" já foi vista uma década atrás, quando Mário Covas também enfrentou durante alguns anos a mesma doença que o recém-falecido Alencar. Embora ambos tenham sido políticos tidos como honestos, e de fato jamais possam ser comparados a ícones da desonestidade e da má política como Paulo Maluf ou Joaquim Roriz, também não podem ser alçados a modelos irrestritos de conduta. Covas chegou a brigar com manifestantes na rua e José Alencar, embora tenha dirigido sua vida política de forma discreta, sem percalços, manchou sua reputação ao se negar a fazer um exame de DNA, que comprovaria ou não a paternidade de uma professora já aposentada. Exame esse postergado desde 2001. Seria o medo da desonra, a que o político se referiu algumas vezes nas últimas semanas de vida? Ter um filho fora do casamento, no entanto, para mim é menos desonroso que renegá-lo anos a fio. E nunca é desonra reconhecer deslizes do passado.

A luta pela vida e a serenidade pela proximidade da morte são atitudes que devem sim ser louváveis, mas de forma alguma apagam os erros e equívocos das pessoas durante sua vida. Tampouco se trata de heroísmo, como relatado por setores da imprensa. Ser herói é sacrificar-se pelos outros, como o fez o policial que ajudou a deter o assassino dos adolescentes em Realengo, os bombeiros em situações diversas de salvamento, os funcionários japoneses que entram na usina de Fukushima para avaliar os riscos para a população, ou alguém que luta com o bandido para proteger a pessoa amada.


E então: ...herói ou um homem comum?

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Catetinho - Gama (DF)



O Catetinho foi concebido para abrigar o presidente JK durante a construção da nova capital. Seu projeto foi rascunhado por Oscar Niemeyer em um guardanapo, e a construção, toda em madeira, demorou apenas dez dias. O local escolhido foi uma antiga fazenda, onde também foi construída uma pista de pouso. O nome Catetinho foi uma sugestão do compositor Dilermando Reis, em alusão ao Palácio do Catete, sede do governo federal na época. A construção - erguida em 1956 - era formada por alguns quartos, um exclusivo para o presidente e sua esposa, e os demais para autoridades ou visitantes, além de um gabinete, onde JK despachava e se reunia com os engenheiros responsáveis pela construção de Brasília. Juscelino era fã de serestas e da bossa nova, e recebeu visitas de vários artistas no Catetinho, dentre eles Vinicius de Moraes e Tom Jobim, que criaram, após visitar uma mina d' água nas proximidades da construção, o clássico "Água de beber" (do refrão, "água de beber, camará").

O museu preserva vários móveis originais, e onde não foi possível contar com tais objetos, procurou retratar o ambiente da década de 50 através de aquisições em antiquários. Os quartos usados por JK e autoridades mantém seus móveis originais; um dos quartos usados originalmente para receber hóspedes tornou-se uma espécie de memorial dos artistas que ali visitaram, com fotos e revistas da época. Atrás do Catetinho, ergue-se um prédio menor, também em madeira, originalmente usado como lavanderia, área de serviço e cozinha. Parte das instalações mantem-se fiel ao original, em outras áreas se veem várias fotos antigas do local.


Ao redor do Catetinho ergue-se um belo bosque, ainda com a mina que inspirou a criação da já citada "Água de beber", além de uma caixa d' água usada na época.



Quarto de JK

Gabinete de JK


Vinicius de Moraes e Tom Jobim no Catetinho


Um dos quartos de hóspede, hoje um memorial para os visitantes artistas. O violão era do seresteiro Dilermando Reis.


A mina que inspirou "Água de beber"



Cozinha



ENDEREÇO: BR 040, Km 0 - Gama (parte sul do DF)


TELEFONE: (61) 3338-8807 / (61) 3338-8803


HORÁRIO DE VISITAÇÃO: terça a domingo, de 9 às 17 horas


ESTACIONAMENTO: gratuito


ENTRADA: gratuita

quinta-feira, 24 de março de 2011

Santuário de Schoenstatt - DF


O Santuário de Schoenstatt de Brasília foi inaugurado no ano 2000, e faz parte de uma rede de santuários que se originou na Alemanha em 1914. No Brasil, além do Distrito Federal, estão presentes em mais sete Estados. É um lugar agradável, possui uma capela rodeada de jardins e uma visão privilegiada de Brasília, já que está situada em uma região de morros. Há missas diárias e uma loja de artigos religiosos.


El Santuário de Schoentstatt de Brasília fue inaugurado en el año 2000, y haz parte de una red de santuários que se originó en Alemania en 1914. En Brasil, allá de Distrito Federal, están presentes en otros siete Estados (Províncias). Es un lugar agradable, possé una capilla cercada de jardines y una visión privilegiada de Brasília, ya que está ubicada en una región de morros. Hay misas diárias y una tienda de artigos religiosos.

Mais informações (Más informaciones): http://santuariodeschoenstattbrasilia.com/





Capela (Capilla)






A capela, com os jardins à volta (La capilla, con jardines)







Interior da capela (interior de la capilla)


Visão de Brasília: à esquerda, a Ponte JK.




Ao fundo, a Esplanada dos Ministérios.





HORÁRIO DE VISITAÇÃO: 8 às 18 horas


ENDEREÇO: Rodovia 001, Km 04 (ao lado da Torre Digital). Saindo de Brasília pelo lado norte, vire a direita no Posto Colorado.


TELEFONE: 3302-2103 e 3302-18 74


ENTRADA: gratuita


ESTACIONAMENTO: gratuito



quinta-feira, 3 de março de 2011

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Museu da Cidade - Brasília (DF)

Cheguei em Brasília em 1982 e confesso que, por mais de uma década, imaginei que a estrutura recoberta de mármore com uma cabeça de bronze do JK fosse apenas uma grande escultura em homenagem ao ex-presidente.
Na verdade é um museu, o mais antigo da capital, tendo sido inaugurado junto com a mesma, em 21 de abril de 1960. Possui um pequeno acervo de fotografias da época da construção, mas sua função principal é a de abrigar 16 painéis que trazem relatos, anteriores a Inconfidência Mineira, inclusive, sobre a necessidade de se mudar a capital para o interior do país.
Pois é, Brasília não foi idéia de JK, e nem dos inconfidentes mineiros. A interiorização da capital foi discutida e amadurecida através dos séculos, sendo então finalmente concretizada na gestão de Juscelino Kubitschek.



Llegué en Brasília en 1982 y confeso que, por más de una década, imaginé que la estructura recoberta de mármol con una cabeza de JK (Juscelino Kubitschek) fuese solamente una grande escultura en homenaje al ex-presidente.
Pues es un museo, el más antiguo de la capital; ha sido inaugurado junto con la misma, en 21 de abril de 1960. Su acervo es formado por algunas fotografias de la época de la construcción, pero, su función principal es abrigar 16 paneles con relatos, inclusive anteriores a la Inconfidência Mineira (movimiento de independencia del Brasil, originado en el Estado de Minas Gerais y abortado en 1789),
sobre la necessidad de se cambiar la capital para el interior del país.
Concluindo, Brasília no ha sido idea de JK, ni de los inconfidentes mineiros. La interiorización de la capital ha sido discutida y madurezida por los siglos, siendo finalmente realizada en la gestión de Juscelino Kubitschek.




Exterior do Museu da Cidade (Exterior del Museu da Cidade)



Escultura da cabeça de JK (Escultura de la cabeza de JK)




Painel III (Panel III)



Painel V (Panel V)



Painel VI (o popular citado é o advogado Antonio Soares Neto, conhecido como Toniquinho, hoje residente em Goiânia)
Panel VI (el "popular" citado es el abogado Antonio Soares Neto, conocido como Toniquinho, hoy residente en la ciudad de Goiânia)




Alguns dos painéis (algunos de los paneles)



Foto da primeira coluna erguida do Palácio do Planalto (foto original de Fontenelle, 1958)


Foto de la primera columna erguida del Palácio do Planalto (foto original de Fontenelle, 1958)



HORÁRIO DE VISITAÇÃO: todos os dias, de 9 às 18 horas


ENDEREÇO: Praça dos Três Poderes


TELEFONE: (61) 3325-6163 e (61) 3321-9843


ENTRADA: gratuita


ESTACIONAMENTO: gratuito. Se não encontrar vaga na pista que passa ao lado do museu, estacione no estacionamento do mastro da bandeira, a poucos metros de distância.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Vida de repórter


Aquele correspondente internacional, recentemente chegado ao Japão, só falava “Watashi ga nihongo o hanasu koto ga dekinai” no idioma local, ou, no bom e velho idioma nipônico, “eu não sei falar japonês”. Pouco afeito ao aprendizado de línguas, não avançou além dessa frase, repetindo-a para os nativos durante meses, chegando a exercer sua pronúncia com perfeição.
Certo dia, ao ser abordado em Tóquio por um pai com seu filho no colo, respondeu-lhe a clássica frase. Ao que a pequena criança respondeu: “mas você não fala japonês tão bem!!””

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Espaço Lúcio Costa

Localizado no subsolo da Praça dos Três Poderes, o espaço é formado por uma grande maquete da cidade de Brasília, que é constantemente atualizada. Nas paredes, fotos do urbanista e uma cópia do relatório que ele apresentou para a comissão que julgaria os projetos concorrentes da nova capital.

Localizado en el subsuelo de la Praça dos Três Poderes, el espacio es formado por una grande maquete de la ciudad de Brasília, constantemente actualizada. En las paredes, fotos del urbanista Lúcio Costa, creador del proyecto arquitectónico de la ciudad, y una copia del informe presentado por él para la comisíon juzgadora de los proyectos competidores de la nueva capital.

Mais informações no site (Más informaciones en el sitio): http://www.sc.df.gov.br/?sessao=conteudo&idSecao=95&titulo=ESPACO-LUCIO-COSTA

Entrada

Detalhe de uma das asas (Detalle de una de las alas)


A Esplanada dos Ministérios, o Congresso e o shopping Conjunto Nacional com seu tradicional letreiro colorido (no fundo, à direita)


Visão geral da maquete


Maquete tátil, ideal para cegos (Maquete táctil, ideal para los ciegos)



HORÁRIO DE VISITAÇÃO: todos os dias da semana, inclusive feriados, das 9h às 18h.

ENDEREÇO: Praça dos Três Poderes

TELEFONES: (61) 3325-6163 e (61) 3321-9843

ENTRADA: gratuita



segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

A (re)volta de Policarpo





Pela ausência de grandes e heróicos personagens literários, eis que o velho Policarpo Quaresma, de Lima Barreto, foi resgatado em carne e osso pela nossa egrégia Academia Brasileira de Letras, saindo de seu “triste fim” para quem sabe um novo recomeço.
Não foram divulgados detalhes sobre o episódio, mas presume-se que a ABL tenha tido a ajuda de um certo mago para trazer o clássico personagem de volta à baila.
Policarpo ressurgiu de manhã, já estranhando de início o que via em volta. Nada mais natural, pois Lima Barreto o colocara na cidade do Rio de Janeiro em fins do século 19.
Saindo com um grupo de escritores para passear pelas ruas do seu Rio, não gostou nada do que viu.
— Bando de gente maluca! Quase nos atropelam com essas carroças de metal e sem animais! Como os cocheiros as controlam?
Enquanto se dirigiam para um parque, lugar mais tranquilo para conversar, explicaram-lhe sobre o desenvolvimento automotivo no decorrer das últimas décadas.
— A cidade está mais desenvolvida, não acha?
— Eu diria mais barulhenta e desorganizada. — respondeu, já perdendo o humor.
— Caro Policarpo — continuou um jovem poeta, talentoso, mas carente de bom senso — és dos personagens mais patriotas que o Brasil já conheceu. Poucos estudaram nossa pátria com tanto amor e competência, não por acaso, tornou-se um clássico na literatura nacional. Por isso te chamamos, para, quem sabe, ministrar um workshop para novos personagens...
— Um o que?? — perguntou Policarpo, estranhando aquele dialeto.
— Uma palestra, um curso. — respondeu outro.
— Bem... sabeis que o Brasil sempre foi minha paixão. O respeito à sua natureza, a sua língua, a sua gente, sempre permearam minha conduta. Terei sim prazer em orientar as novas gerações de personagens. Mas, por ora, encontro-me faminto. Há alguma taberna próxima?
— Sim. — respondeu o jovem poeta —, mas hoje em dia chamam-se restaurantes; ou fast-food, como preferem outros.
— Fésti fud?? Que diabos é isto?
— É comida rápida, em inglês. O pessoal daqui acha elegante a língua de Shakespeare.
— De fato, tem suas belezas. Mas, se não me levaram à sério na proposta de se ensinar o tupi nas escolas, deveriam pelo menos preservar a língua de Camões, também encantadora.
Por fim, resolveram levá-lo numa lanchonete, lugar geralmente mais calmo na hora do almoço, já que Policarpo ainda estava visivelmente incomodado com a enorme quantidade de gente nas ruas. O jovem poeta deu a idéia: levar o velho personagem para lanchar em um shopping center.
Lá dentro, depois de passar em frente de lojas como Golden Joalheria, Kings Coffee e Woodstock CDs, chegaram a praça de alimentação.
Apresentaram ao ufanista Policarpo... o Mc Donalds...
— Róti dóg, xis burguer... Que diabos de comida é essa, senhores?
— Não se preocupe, Policarpo, o nome pode ser estranho, mas o lanche não é ruim.
— As sardinhas da Taberna do João me pareciam mais apetitosas. E pelo menos dava para saber o que estávamos comendo...
Enfim, lancharam todos e uma hora depois estavam de volta à rua. Retornaram para a sede da ABL, onde apresentaram Policarpo a um aparelho inexistente em sua época, a televisão. Nada melhor para mostrá-lo de modo mais dinâmico o que acontecia no país. Foi aí que tomou conhecimento das fraudes em licitações públicas, do desvio de dinheiro, dos votos comprados...
— Bando de néscios, malta de bandidos, quadrilha de pândegos!! A mão da Lei será pesada sobre seus cornos!
Acharam por bem não alertá-lo que a mão pesada dos egrégios tribunais do país tinha por hábito presentear os acusados – a maioria presa em flagrante, com a mão na cumbuca, como diriam os antigos – com providenciais Habeas Corpus...
— Que fazem com meu país, calhordas? — perguntou Policarpo, sem desgrudar os já úmidos olhos da tela.
A notícia seguinte dava conta do desmatamento da Amazônia, da poluição dos rios, e da suprema incompetência governamental não só em prevenir tais problemas, como também em punir os responsáveis.
Depois do intervalo, chegou a vez do caos na saúde pública, das escolas de lata...
— Calhordas, salteadores, biltres, abutres, sacripantas!!! — xingava Policarpo, quase batendo na televisão.
Deram-lhe um calmante à base de farinha que não surtiu efeito. Por fim, preferiram trancá-lo em uma sala, para que pudesse descansar um pouco. No início da noite, mais calmo, Policarpo informou:
— Amigos, agradeço a honra de me considerarem como modelo, como exemplo, mas prefiro retirar-me. Na verdade, caríssimos, não preciseis de personagens clássicos ou de heróis míticos; preciseis de homens de carne e osso, de bom senso, justos e preocupados com o próximo, que saibam dirigir o país com responsabilidade e serenidade.
E foi-se o velho Quaresma, quem sabe passar uma quarentena no consultório do seu estimado amigo Simão Bacamarte, o Alienista, de Machado de Assis. Precisava desabafar um pouco...



“Há quantos anos vidas mais valiosas que a dele se vinham oferecendo, sacrificando, e as cousas ficaram na mesma, a terra na mesma miséria, na mesma opressão, na mesma tristeza.”
Triste Fim de Policarpo Quaresma


Texto premiado no VII Prêmio Barueri de Literatura, em 2010, na categoria "conto, de não-residentes em Barueri".




Obs: a primeira foto mostra uma cena do filme "Policarpo Quaresma, Herói do Brasil", cujo personagem principal é interpretado por Paulo José (fonte: http://www.planetaeducacao.com.br/portal/artigo.asp?artigo=308).

A segunda foto ilustra o desconsolo do personagem, mas, na verdade, retrata Machado de Assis, presumivelmente sendo acudido após um ataque de epilepsia (fonte: Wikipédia).



quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Premiação no VII Prêmio Barueri de Literatura

Não podia perder essa: logo após receber por telefone a notícia de que havia ganho o concurso, passei a planejar a viagem para Barueri, cidade localizada na zona metropolitana de São Paulo. No dia 24 de novembro, à noite, embarquei para São Paulo. No dia seguinte de manhã, desembarquei na capital paulista. Após pegar um trem para Barueri, cheguei lá por volta da hora do almoço. Já instalado em um hotel no Alphaville (não sou tão chique assim, é que o hotel mais próximo do local da premiação estava lotado, rsrs), dei um tempinho e em seguida peguei um táxi até o centro de eventos da cidade.



Jurados do Prêmio Barueri sentados à direita






Apresentação musical de crianças


A cerimônia foi simples, mas tremendamente cativante. Crianças apresentaram números musicais, e esquetes teatrais foram feitos por jovens, tendo alguns dos contos premiados como matéria-prima. Os vencedores recebiam seus troféus e, no caso dos primeiros lugares, um cheque simbólico.

Abaixo, fotos dos premiados (estou agachado, primeiro a esquerda), do troféu e do cheque simbólico.









terça-feira, 30 de novembro de 2010

Pequeno histórico literário

Escrevo desde 1992. Nesses dezoito anos tive algumas grandes alegrias, períodos de questionamento sobre o meu papel no meio literário, fases de grande e também de nenhuma produção.
Minha primeira grande alegria ocorreu ainda em 1992, quando publiquei meu primeiro conto, uma historinha despretenciosa, no "Esquina", jornal produzido pelos alunos de jornalismo do Uniceub, onde fiz psicologia.
Já por volta do ano 2000, tive uma experiência como colunista no Correio do Sul, o maior jornal de minha cidade natal, Varginha, no sul de Minas. Na coluna, publicava textos literários e sobre psicologia, mas minha falta de disciplina em entregar os textos na época correta fez com que resolvesse não prosseguir com o projeto.
Já em 2002, fui publicado pela primeira vez em uma antologia literária, após vencer o concurso de contos da editora DGF, de Ibirité (MG).
Seguiram-se outras publicações semelhantes, mas passei a sentir falta de um reconhecimento mais contundente. Concursos promovidos por editoras nem sempre tem o objetivo de realmente publicar os melhores; muitas veses, os organizadores escolhem vários textos de autores diversos justamente para que muitos queiram depois pagar para ver seu texto incluído na coletânea dos vencedores. Passei então a mirar apenas concursos promovidos por prefeituras, ou academias literárias, que a meu ver teriam um cuidado maior.
E foi aí que surgiu o Prêmio Barueri na minha vida. Após participar desse concurso, promovido pela prefeitura municipal de Barueri, em São Paulo, por dois anos seguidos, fui agraciado com a primeira colocação na edição de 2010. A partir daí tive a convicção de que, realmente, "tenho jeito pra coisa". O conto vencedor foi " A (re)volta de Policarpo", que brevemente será aqui publicado (um suspensezinho pra fazer propaganda do blog, rsrs).

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Histórico de família



Naquela tradicional família de criminosos:

Mário, o patriarca, morreu já velho
ao tentar roubar uma rica arca;

Vilmar, o punguista,
morreu num tiroteio com a polícia;

Júlio, o ladrão,
morreu ao tentar fugir da prisão;

Mateus, o traficante, fugia da polícia quando se foi,
atropelado por uma variant;

Tião, o estelionatário, morreu ao tentar fazer um político de otário
(eles odeiam concorrência);

Bete, a seqüestradora, morreu ao tentar seqüestrar um empresário,
armado de uma metralhadora;

E Marcos, deles o único trabalhador, morreu de hipoglicemia,
e virou, a ovelha negra da família!...


Obs: essa despretenciosa poesia foi um de meus primeiros textos, e já deve ter sido escrito a coisa de quinze anos!

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Cotas






Local: balcão de informações de uma universidade fluminense (mas poderia ser em outro Estado);



Personagens: jovem vestibulando descendente de alemães;
mocinha do balcão de informações.



Cena única:

— Bom dia.
— Bom dia.
— Queria saber a quantidade de vagas para Direito, à noite.
— Cento e vinte.
— Hmmm, tá bom.
— Mas tenho que alertar que trabalhamos com o sistema de cotas.
— Ah, tá. Então me explique.
— 25% dessas vagas estão reservadas para negros e afrodescendentes.
— Hmmm...
— Outros 25% são reservados para estudantes de escolas públicas.
— Caramba! Só aí já deu metade das vagas!
— Pois é, mas não acabei.
— Tem mais??
— Sim. — respondeu a moça do balcão, enquanto pegava uma lista que até o momento passara despercebida. — A universidade preocupa-se com os vários problemas histórico-étnico-sociais do país e por isso desenvolveu um exclusivo sistema de cotas que privilegia proporcionalmente a parcela minoritária da população.
— ????
— Vou explicar detalhadamente. — telemarketinguizou. — Eu havia dito que 25% das vagas são reservadas para negros ou afrodescendentes e 25% para estudantes de escolas públicas, não foi?
— Foi.
— Outros 10% são reservados para negros ou afrodescendentes E estudantes de escolas públicas, mais 10% são para indígenas ou indo-descendentes, outros 10% para pessoas que precisam pegar ao menos três ônibus para chegar à universidade... — está acompanhando meu raciocínio?
— ????
— Ótimo. Mais 5% para ex-presidiários, igual porcentagem para albinos e também 5% para os calvos, e finalizando...
— Tem mais??
— Teeemmm... a fim de se preservar o patrimônio imaterial futebolístico carioca, reservamos 1,5% para os torcedores do glorioso América!
— O QUE?? Até os torcedores do Ameriquinha tem esse privilégio?
— Sabe como é, o América é o segundo time de todos os cariocas, é verdadeiramente o time que faz reunir toda a massa do futebol do Rio.
— Putz, e o que me sobrou?
— 3,5%.
— Só isso?
— Não, me desculpe me enganei... esse meio por cento está reservado para os anões. Sobraram então 3%.
— E isso em número de vagas dá quanto?
— Três ponto seis.
— E o que é que vocês fazem com “zero ponto seis” de uma vaga?
— Bom... desculpe-me de novo, sou nova aqui, dessas “três ponto seis” vagas, “uma ponto seis” ficam para os obesos... é que eles precisam de uma cadeira maior para sentar-se. Nossa faculdade se preocupa com a ergonomia e o conforto dos alunos.
— Tá bom. Então na prática só tenho direito a duas vagas?
— Exatamente.
— E o que você acha disso?
A moçinha se debruçou sobre o balcão e sussurrou no ouvido do vestibulando.
— Confesso que eu acho até democrático: transformou todo mundo em minoria...





quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Fábula




O médico da floresta dá uma péssima notícia para a dona porco-espinho, grávida de seus primeiros e parrudinhos trigêmeos.



O parto seria natural.





VERSIÓN EN ESPAÑOL





El médico de la floresta dá una pésima noticia para la puercoespín, embarazada de sus primeiros y fuertes trillizos.




El parto será natural.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010