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quinta-feira, 24 de março de 2011

Santuário de Schoenstatt - DF


O Santuário de Schoenstatt de Brasília foi inaugurado no ano 2000, e faz parte de uma rede de santuários que se originou na Alemanha em 1914. No Brasil, além do Distrito Federal, estão presentes em mais sete Estados. É um lugar agradável, possui uma capela rodeada de jardins e uma visão privilegiada de Brasília, já que está situada em uma região de morros. Há missas diárias e uma loja de artigos religiosos.


El Santuário de Schoentstatt de Brasília fue inaugurado en el año 2000, y haz parte de una red de santuários que se originó en Alemania en 1914. En Brasil, allá de Distrito Federal, están presentes en otros siete Estados (Províncias). Es un lugar agradable, possé una capilla cercada de jardines y una visión privilegiada de Brasília, ya que está ubicada en una región de morros. Hay misas diárias y una tienda de artigos religiosos.

Mais informações (Más informaciones): http://santuariodeschoenstattbrasilia.com/





Capela (Capilla)






A capela, com os jardins à volta (La capilla, con jardines)







Interior da capela (interior de la capilla)


Visão de Brasília: à esquerda, a Ponte JK.




Ao fundo, a Esplanada dos Ministérios.





HORÁRIO DE VISITAÇÃO: 8 às 18 horas


ENDEREÇO: Rodovia 001, Km 04 (ao lado da Torre Digital). Saindo de Brasília pelo lado norte, vire a direita no Posto Colorado.


TELEFONE: 3302-2103 e 3302-18 74


ENTRADA: gratuita


ESTACIONAMENTO: gratuito



quinta-feira, 3 de março de 2011

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Museu da Cidade - Brasília (DF)

Cheguei em Brasília em 1982 e confesso que, por mais de uma década, imaginei que a estrutura recoberta de mármore com uma cabeça de bronze do JK fosse apenas uma grande escultura em homenagem ao ex-presidente.
Na verdade é um museu, o mais antigo da capital, tendo sido inaugurado junto com a mesma, em 21 de abril de 1960. Possui um pequeno acervo de fotografias da época da construção, mas sua função principal é a de abrigar 16 painéis que trazem relatos, anteriores a Inconfidência Mineira, inclusive, sobre a necessidade de se mudar a capital para o interior do país.
Pois é, Brasília não foi idéia de JK, e nem dos inconfidentes mineiros. A interiorização da capital foi discutida e amadurecida através dos séculos, sendo então finalmente concretizada na gestão de Juscelino Kubitschek.



Llegué en Brasília en 1982 y confeso que, por más de una década, imaginé que la estructura recoberta de mármol con una cabeza de JK (Juscelino Kubitschek) fuese solamente una grande escultura en homenaje al ex-presidente.
Pues es un museo, el más antiguo de la capital; ha sido inaugurado junto con la misma, en 21 de abril de 1960. Su acervo es formado por algunas fotografias de la época de la construcción, pero, su función principal es abrigar 16 paneles con relatos, inclusive anteriores a la Inconfidência Mineira (movimiento de independencia del Brasil, originado en el Estado de Minas Gerais y abortado en 1789),
sobre la necessidad de se cambiar la capital para el interior del país.
Concluindo, Brasília no ha sido idea de JK, ni de los inconfidentes mineiros. La interiorización de la capital ha sido discutida y madurezida por los siglos, siendo finalmente realizada en la gestión de Juscelino Kubitschek.




Exterior do Museu da Cidade (Exterior del Museu da Cidade)



Escultura da cabeça de JK (Escultura de la cabeza de JK)




Painel III (Panel III)



Painel V (Panel V)



Painel VI (o popular citado é o advogado Antonio Soares Neto, conhecido como Toniquinho, hoje residente em Goiânia)
Panel VI (el "popular" citado es el abogado Antonio Soares Neto, conocido como Toniquinho, hoy residente en la ciudad de Goiânia)




Alguns dos painéis (algunos de los paneles)



Foto da primeira coluna erguida do Palácio do Planalto (foto original de Fontenelle, 1958)


Foto de la primera columna erguida del Palácio do Planalto (foto original de Fontenelle, 1958)



HORÁRIO DE VISITAÇÃO: todos os dias, de 9 às 18 horas


ENDEREÇO: Praça dos Três Poderes


TELEFONE: (61) 3325-6163 e (61) 3321-9843


ENTRADA: gratuita


ESTACIONAMENTO: gratuito. Se não encontrar vaga na pista que passa ao lado do museu, estacione no estacionamento do mastro da bandeira, a poucos metros de distância.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Vida de repórter


Aquele correspondente internacional, recentemente chegado ao Japão, só falava “Watashi ga nihongo o hanasu koto ga dekinai” no idioma local, ou, no bom e velho idioma nipônico, “eu não sei falar japonês”. Pouco afeito ao aprendizado de línguas, não avançou além dessa frase, repetindo-a para os nativos durante meses, chegando a exercer sua pronúncia com perfeição.
Certo dia, ao ser abordado em Tóquio por um pai com seu filho no colo, respondeu-lhe a clássica frase. Ao que a pequena criança respondeu: “mas você não fala japonês tão bem!!””

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Espaço Lúcio Costa

Localizado no subsolo da Praça dos Três Poderes, o espaço é formado por uma grande maquete da cidade de Brasília, que é constantemente atualizada. Nas paredes, fotos do urbanista e uma cópia do relatório que ele apresentou para a comissão que julgaria os projetos concorrentes da nova capital.

Localizado en el subsuelo de la Praça dos Três Poderes, el espacio es formado por una grande maquete de la ciudad de Brasília, constantemente actualizada. En las paredes, fotos del urbanista Lúcio Costa, creador del proyecto arquitectónico de la ciudad, y una copia del informe presentado por él para la comisíon juzgadora de los proyectos competidores de la nueva capital.

Mais informações no site (Más informaciones en el sitio): http://www.sc.df.gov.br/?sessao=conteudo&idSecao=95&titulo=ESPACO-LUCIO-COSTA

Entrada

Detalhe de uma das asas (Detalle de una de las alas)


A Esplanada dos Ministérios, o Congresso e o shopping Conjunto Nacional com seu tradicional letreiro colorido (no fundo, à direita)


Visão geral da maquete


Maquete tátil, ideal para cegos (Maquete táctil, ideal para los ciegos)



HORÁRIO DE VISITAÇÃO: todos os dias da semana, inclusive feriados, das 9h às 18h.

ENDEREÇO: Praça dos Três Poderes

TELEFONES: (61) 3325-6163 e (61) 3321-9843

ENTRADA: gratuita



segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

A (re)volta de Policarpo





Pela ausência de grandes e heróicos personagens literários, eis que o velho Policarpo Quaresma, de Lima Barreto, foi resgatado em carne e osso pela nossa egrégia Academia Brasileira de Letras, saindo de seu “triste fim” para quem sabe um novo recomeço.
Não foram divulgados detalhes sobre o episódio, mas presume-se que a ABL tenha tido a ajuda de um certo mago para trazer o clássico personagem de volta à baila.
Policarpo ressurgiu de manhã, já estranhando de início o que via em volta. Nada mais natural, pois Lima Barreto o colocara na cidade do Rio de Janeiro em fins do século 19.
Saindo com um grupo de escritores para passear pelas ruas do seu Rio, não gostou nada do que viu.
— Bando de gente maluca! Quase nos atropelam com essas carroças de metal e sem animais! Como os cocheiros as controlam?
Enquanto se dirigiam para um parque, lugar mais tranquilo para conversar, explicaram-lhe sobre o desenvolvimento automotivo no decorrer das últimas décadas.
— A cidade está mais desenvolvida, não acha?
— Eu diria mais barulhenta e desorganizada. — respondeu, já perdendo o humor.
— Caro Policarpo — continuou um jovem poeta, talentoso, mas carente de bom senso — és dos personagens mais patriotas que o Brasil já conheceu. Poucos estudaram nossa pátria com tanto amor e competência, não por acaso, tornou-se um clássico na literatura nacional. Por isso te chamamos, para, quem sabe, ministrar um workshop para novos personagens...
— Um o que?? — perguntou Policarpo, estranhando aquele dialeto.
— Uma palestra, um curso. — respondeu outro.
— Bem... sabeis que o Brasil sempre foi minha paixão. O respeito à sua natureza, a sua língua, a sua gente, sempre permearam minha conduta. Terei sim prazer em orientar as novas gerações de personagens. Mas, por ora, encontro-me faminto. Há alguma taberna próxima?
— Sim. — respondeu o jovem poeta —, mas hoje em dia chamam-se restaurantes; ou fast-food, como preferem outros.
— Fésti fud?? Que diabos é isto?
— É comida rápida, em inglês. O pessoal daqui acha elegante a língua de Shakespeare.
— De fato, tem suas belezas. Mas, se não me levaram à sério na proposta de se ensinar o tupi nas escolas, deveriam pelo menos preservar a língua de Camões, também encantadora.
Por fim, resolveram levá-lo numa lanchonete, lugar geralmente mais calmo na hora do almoço, já que Policarpo ainda estava visivelmente incomodado com a enorme quantidade de gente nas ruas. O jovem poeta deu a idéia: levar o velho personagem para lanchar em um shopping center.
Lá dentro, depois de passar em frente de lojas como Golden Joalheria, Kings Coffee e Woodstock CDs, chegaram a praça de alimentação.
Apresentaram ao ufanista Policarpo... o Mc Donalds...
— Róti dóg, xis burguer... Que diabos de comida é essa, senhores?
— Não se preocupe, Policarpo, o nome pode ser estranho, mas o lanche não é ruim.
— As sardinhas da Taberna do João me pareciam mais apetitosas. E pelo menos dava para saber o que estávamos comendo...
Enfim, lancharam todos e uma hora depois estavam de volta à rua. Retornaram para a sede da ABL, onde apresentaram Policarpo a um aparelho inexistente em sua época, a televisão. Nada melhor para mostrá-lo de modo mais dinâmico o que acontecia no país. Foi aí que tomou conhecimento das fraudes em licitações públicas, do desvio de dinheiro, dos votos comprados...
— Bando de néscios, malta de bandidos, quadrilha de pândegos!! A mão da Lei será pesada sobre seus cornos!
Acharam por bem não alertá-lo que a mão pesada dos egrégios tribunais do país tinha por hábito presentear os acusados – a maioria presa em flagrante, com a mão na cumbuca, como diriam os antigos – com providenciais Habeas Corpus...
— Que fazem com meu país, calhordas? — perguntou Policarpo, sem desgrudar os já úmidos olhos da tela.
A notícia seguinte dava conta do desmatamento da Amazônia, da poluição dos rios, e da suprema incompetência governamental não só em prevenir tais problemas, como também em punir os responsáveis.
Depois do intervalo, chegou a vez do caos na saúde pública, das escolas de lata...
— Calhordas, salteadores, biltres, abutres, sacripantas!!! — xingava Policarpo, quase batendo na televisão.
Deram-lhe um calmante à base de farinha que não surtiu efeito. Por fim, preferiram trancá-lo em uma sala, para que pudesse descansar um pouco. No início da noite, mais calmo, Policarpo informou:
— Amigos, agradeço a honra de me considerarem como modelo, como exemplo, mas prefiro retirar-me. Na verdade, caríssimos, não preciseis de personagens clássicos ou de heróis míticos; preciseis de homens de carne e osso, de bom senso, justos e preocupados com o próximo, que saibam dirigir o país com responsabilidade e serenidade.
E foi-se o velho Quaresma, quem sabe passar uma quarentena no consultório do seu estimado amigo Simão Bacamarte, o Alienista, de Machado de Assis. Precisava desabafar um pouco...



“Há quantos anos vidas mais valiosas que a dele se vinham oferecendo, sacrificando, e as cousas ficaram na mesma, a terra na mesma miséria, na mesma opressão, na mesma tristeza.”
Triste Fim de Policarpo Quaresma


Texto premiado no VII Prêmio Barueri de Literatura, em 2010, na categoria "conto, de não-residentes em Barueri".




Obs: a primeira foto mostra uma cena do filme "Policarpo Quaresma, Herói do Brasil", cujo personagem principal é interpretado por Paulo José (fonte: http://www.planetaeducacao.com.br/portal/artigo.asp?artigo=308).

A segunda foto ilustra o desconsolo do personagem, mas, na verdade, retrata Machado de Assis, presumivelmente sendo acudido após um ataque de epilepsia (fonte: Wikipédia).



quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Premiação no VII Prêmio Barueri de Literatura

Não podia perder essa: logo após receber por telefone a notícia de que havia ganho o concurso, passei a planejar a viagem para Barueri, cidade localizada na zona metropolitana de São Paulo. No dia 24 de novembro, à noite, embarquei para São Paulo. No dia seguinte de manhã, desembarquei na capital paulista. Após pegar um trem para Barueri, cheguei lá por volta da hora do almoço. Já instalado em um hotel no Alphaville (não sou tão chique assim, é que o hotel mais próximo do local da premiação estava lotado, rsrs), dei um tempinho e em seguida peguei um táxi até o centro de eventos da cidade.



Jurados do Prêmio Barueri sentados à direita






Apresentação musical de crianças


A cerimônia foi simples, mas tremendamente cativante. Crianças apresentaram números musicais, e esquetes teatrais foram feitos por jovens, tendo alguns dos contos premiados como matéria-prima. Os vencedores recebiam seus troféus e, no caso dos primeiros lugares, um cheque simbólico.

Abaixo, fotos dos premiados (estou agachado, primeiro a esquerda), do troféu e do cheque simbólico.









terça-feira, 30 de novembro de 2010

Pequeno histórico literário

Escrevo desde 1992. Nesses dezoito anos tive algumas grandes alegrias, períodos de questionamento sobre o meu papel no meio literário, fases de grande e também de nenhuma produção.
Minha primeira grande alegria ocorreu ainda em 1992, quando publiquei meu primeiro conto, uma historinha despretenciosa, no "Esquina", jornal produzido pelos alunos de jornalismo do Uniceub, onde fiz psicologia.
Já por volta do ano 2000, tive uma experiência como colunista no Correio do Sul, o maior jornal de minha cidade natal, Varginha, no sul de Minas. Na coluna, publicava textos literários e sobre psicologia, mas minha falta de disciplina em entregar os textos na época correta fez com que resolvesse não prosseguir com o projeto.
Já em 2002, fui publicado pela primeira vez em uma antologia literária, após vencer o concurso de contos da editora DGF, de Ibirité (MG).
Seguiram-se outras publicações semelhantes, mas passei a sentir falta de um reconhecimento mais contundente. Concursos promovidos por editoras nem sempre tem o objetivo de realmente publicar os melhores; muitas veses, os organizadores escolhem vários textos de autores diversos justamente para que muitos queiram depois pagar para ver seu texto incluído na coletânea dos vencedores. Passei então a mirar apenas concursos promovidos por prefeituras, ou academias literárias, que a meu ver teriam um cuidado maior.
E foi aí que surgiu o Prêmio Barueri na minha vida. Após participar desse concurso, promovido pela prefeitura municipal de Barueri, em São Paulo, por dois anos seguidos, fui agraciado com a primeira colocação na edição de 2010. A partir daí tive a convicção de que, realmente, "tenho jeito pra coisa". O conto vencedor foi " A (re)volta de Policarpo", que brevemente será aqui publicado (um suspensezinho pra fazer propaganda do blog, rsrs).

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Histórico de família



Naquela tradicional família de criminosos:

Mário, o patriarca, morreu já velho
ao tentar roubar uma rica arca;

Vilmar, o punguista,
morreu num tiroteio com a polícia;

Júlio, o ladrão,
morreu ao tentar fugir da prisão;

Mateus, o traficante, fugia da polícia quando se foi,
atropelado por uma variant;

Tião, o estelionatário, morreu ao tentar fazer um político de otário
(eles odeiam concorrência);

Bete, a seqüestradora, morreu ao tentar seqüestrar um empresário,
armado de uma metralhadora;

E Marcos, deles o único trabalhador, morreu de hipoglicemia,
e virou, a ovelha negra da família!...


Obs: essa despretenciosa poesia foi um de meus primeiros textos, e já deve ter sido escrito a coisa de quinze anos!

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Cotas






Local: balcão de informações de uma universidade fluminense (mas poderia ser em outro Estado);



Personagens: jovem vestibulando descendente de alemães;
mocinha do balcão de informações.



Cena única:

— Bom dia.
— Bom dia.
— Queria saber a quantidade de vagas para Direito, à noite.
— Cento e vinte.
— Hmmm, tá bom.
— Mas tenho que alertar que trabalhamos com o sistema de cotas.
— Ah, tá. Então me explique.
— 25% dessas vagas estão reservadas para negros e afrodescendentes.
— Hmmm...
— Outros 25% são reservados para estudantes de escolas públicas.
— Caramba! Só aí já deu metade das vagas!
— Pois é, mas não acabei.
— Tem mais??
— Sim. — respondeu a moça do balcão, enquanto pegava uma lista que até o momento passara despercebida. — A universidade preocupa-se com os vários problemas histórico-étnico-sociais do país e por isso desenvolveu um exclusivo sistema de cotas que privilegia proporcionalmente a parcela minoritária da população.
— ????
— Vou explicar detalhadamente. — telemarketinguizou. — Eu havia dito que 25% das vagas são reservadas para negros ou afrodescendentes e 25% para estudantes de escolas públicas, não foi?
— Foi.
— Outros 10% são reservados para negros ou afrodescendentes E estudantes de escolas públicas, mais 10% são para indígenas ou indo-descendentes, outros 10% para pessoas que precisam pegar ao menos três ônibus para chegar à universidade... — está acompanhando meu raciocínio?
— ????
— Ótimo. Mais 5% para ex-presidiários, igual porcentagem para albinos e também 5% para os calvos, e finalizando...
— Tem mais??
— Teeemmm... a fim de se preservar o patrimônio imaterial futebolístico carioca, reservamos 1,5% para os torcedores do glorioso América!
— O QUE?? Até os torcedores do Ameriquinha tem esse privilégio?
— Sabe como é, o América é o segundo time de todos os cariocas, é verdadeiramente o time que faz reunir toda a massa do futebol do Rio.
— Putz, e o que me sobrou?
— 3,5%.
— Só isso?
— Não, me desculpe me enganei... esse meio por cento está reservado para os anões. Sobraram então 3%.
— E isso em número de vagas dá quanto?
— Três ponto seis.
— E o que é que vocês fazem com “zero ponto seis” de uma vaga?
— Bom... desculpe-me de novo, sou nova aqui, dessas “três ponto seis” vagas, “uma ponto seis” ficam para os obesos... é que eles precisam de uma cadeira maior para sentar-se. Nossa faculdade se preocupa com a ergonomia e o conforto dos alunos.
— Tá bom. Então na prática só tenho direito a duas vagas?
— Exatamente.
— E o que você acha disso?
A moçinha se debruçou sobre o balcão e sussurrou no ouvido do vestibulando.
— Confesso que eu acho até democrático: transformou todo mundo em minoria...





quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Fábula




O médico da floresta dá uma péssima notícia para a dona porco-espinho, grávida de seus primeiros e parrudinhos trigêmeos.



O parto seria natural.





VERSIÓN EN ESPAÑOL





El médico de la floresta dá una pésima noticia para la puercoespín, embarazada de sus primeiros y fuertes trillizos.




El parto será natural.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Blitz



Terça-feira, dia 25

É recebida pela polícia uma denúncia anônima que informava sobre um Gol vinho, quase “zero”, carregado com alguns pacotes de cocaína, e que entraria na região oeste da cidade, possivelmente na tarde do dia seguinte.
As autoridades imediatamente organizam uma blitz no local, de modo que, já na hora do almoço, policiais estivessem às margens da rodovia, próximos à entrada da cidade, conhecida por ser rota de passagem de caminhões e veículos que traziam cocaína da Bolívia.
Enquanto isso, outros policiais se postaram quilômetros à frente, a fim de comunicar aos colegas a passagem de veículos suspeitos.
Já no fim da tarde, os policiais da blitz são comunicados de que dois veículos com aquelas características estão passando pela estrada com destino à cidade.
— Vamos parar os dois, então. — Informa o chefe da equipe.
Em seguida, o primeiro veículo chega. É dirigido por Zé Henrique, um homem negro de cabelos rastafári; ouve reggae no último volume e tem vários pacotes no banco de trás e no porta-malas...
— Fala, meus irmão, o que é que manda?
O chefe dos policiais chama um dos colegas que abordaria o sujeito e recomenda:
— Com esse cabelo, esse palavreado, ouvindo reggae no último volume? Pode meter bronca nessa revista...
Em seguida o segundo veículo também encosta na pista. Em seu interior, dois rapazes e uma moça.
— Tudo bem, seu policial, alguma coisa?
Mais por praxe do que por acreditar que encontraria algo ali, outro policial pediu documentos e revistou superficialmente o veículo.
— Pra onde estão indo? — pergunta.
— Somos colegas de faculdade, estamos saindo do trabalho e vamos para a biblioteca, sabe como é que é...
— Entendo, tudo bem, podem ir.
Enquanto isso, até o motor do carro de Zé Henrique era revistado. Os pacotes no banco de trás e no porta-malas já tinham sido verificados: eram pares de sapatos que ele alegara ter comprado para revender. Comprovara tudo com notas fiscais.
Apenas vinte minutos depois, conseguiu ser liberado. Olhou no relógio: eram 17:30.

Mesmo dia, 19:00

Os três estudantes estacionam o Gol em uma garagem e descem do veículo, esfuziantes:
— Fantástico, cara, que idéia! — entusiasmou-se um dos rapazes.
— Pois então cumprimentem o gênio aqui!” — complementou o motorista.
A garota entra em casa e liga o som; nesse meio tempo, os outros dois abrem o porta-malas e retiram o estepe; dentro dele, estão escondidos alguns pacotes de cocaína, dinheiro sujo e certo nas próximas semanas...
É nessa hora que a campainha toca. Eles se agitam.
— Será a polícia??
— Fiquem tranqüilos — acalma a garota, verificando pelo olho mágico — é só a nossa isca.
Ela abre a porta. Zé Henrique entra.
— E aí brôs, manêro hein?!
— E aí, maluco, quem mandou ter cara de malandro?
— Só porque eu sou neguinho!...
— Isso não é nada. Pior é o reggae no último volume e esse rastafári feito por encomenda. Ficou esquisito, viu?
E o segundo velho comparsa, complementou:
— Pois é, chegado, fazer o que se você se encaixa no estereótipo de bandido? O preconceito é cruel, mas a gente tem é que se aproveitar disso, não é não?...

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Museu Vivo da Memória Candanga - Núcleo Bandeirante (DF)

O museu atual...





E como era na década de 1960, ainda como hospital.





Quem sai de Brasília em direção a Valparaíso de Goiás já deve ter reparado: a beira da rodovia, pouco depois do Parkshopping e um pouco antes do Núcleo Bandeirante, descortina-se sobre um morro um conjunto de casinhas coloridas de madeira.
As tais casinhas margeiam a estrada desde 1957, quando ali foi construído o primeiro hospital de Brasília, erguido para atender os candangos que construíam a capital.O prédio amarelo, o maior, era o hospital propriamente dito. As demais construções serviam como residência de médicos e demais funcionários. Interessante notar que as casas que possuíam duas portas, na verdade, abrigavam duas residências, utilizadas por funcionários casados. As casas que possuíam apenas uma porta eram usadas pelos solteiros.
Após a inauguração de Brasília, o lugar foi rebaixado a posto de saúde, e, na década de 70, abandonado. No entanto, alguns funcionários permaneceram morando algum tempo no local.
Ocorre que a tradicional sanha imobiliária de Brasília passou a abrir os olhos para aquela área. A cultura e a preservação da história venceram através do esforço de antigos funcionários e dos moradores da região, que se mobilizaram para preservá-lo; os ex-moradores foram remanejados para outros pontos do Distrito Federal e o antigo HJKO transformou-se no Museu Vivo da Memória Candanga (MVMC). É hoje o maior complexo de construções da época da construção mantidas de pé.
O Museu do Catetinho, sem dúvida, é mais famoso, por ter servido de residência para o então presidente JK. No entanto, trata-se de apenas uma edificação, ao contrário do complexo do MVMC, com pouco mais de uma dezena de edificações.
No antigo prédio do hospital, encontra-se hoje uma biblioteca, uma maquete atualizada de Brasília e a exposição permanente “Poeira, Lona e Concreto”, com ambientes simulados da época da construção, como um quarto de hotel e salão de barbeiro, além de várias fotografias.

Um salão de barbeiro recriado...













A maquete de Brasília, constantemente atualizada. Na imagem a direita, o interior do museu: recriação de uma sala de hotel, máquina fotográfica, fotografia da Missão Cruls e projeto original da cidade.



Já em algumas das antigas residências funcionam hoje oficinas culturais, como a de cerâmica.
E em um galpão, cedido para o Veteran Car Club, estão abrigados carros antigos e bem preservados.
Qualquer pessoa interessada em conhecer melhor a história da construção de Brasília, apreciará muito a visita a este museu, cuja entrada é gratuita. Dica do Glauber!





Antigos veículos presentes no MVMC.


Mais fotos do museu:







ENDEREÇO: VIA EPIA SUL (SAÍDA SUL DE BRASÍLIA)

HORÁRIO DE VISITAÇÃO: DE TERÇA A DOMINGO, ENTRE 09 E 17 HORAS

TELEFAX: (61) 3301-3590

ENTRADA: gratuita

ESTACIONAMENTO: gratuito

terça-feira, 6 de julho de 2010

A ponte







A antiga estrutura ligava os dois lados da cidade.



Mas não foi capaz de ligá-lo ao mundo.







Obs: a figura acima é parte do cartaz do documentário "A Ponte", de Eric Steel. O filme retrata a ponte Golden Gate, em San Francisco (EUA), citado como o lugar onde mais pessoas se suicidam no mundo.